14.1.17

noite


O mundo continua
ruidoso.

Incomunicável
como um deus de plástico.


13.1.17

por um mundo novo, sem capitalismo


Entrevista com MICHAEL LÖWY, cientista e escritor radicado na França desde a década de 1960 e onde atualmente é diretor de pesquisas do Centro Nacional da Pesquisa Científica, que aborda semelhanças – e dessemelhanças – entre Marx e Weber e o ecossocialismo para conter a catástrofe humana e ambiental do capitalismo.

[...]
... acho que é importante tomar a fábrica, porque as condições em que ela vive faz ela produzir outra coisa. Porque o capitalista que produz carro, nunca vai deixar de produzir carro, que polui. Então, se houvesse um trabalhador com consciência ecológica, ele vai poder tomar essa fábrica e decidir produzir bicicleta, por exemplo. Então, eu acho que é essa coisa: uma fábrica a gente quer fechar porque só produz porcaria; outra, a gente quer reorganizar para produzir outra coisa e outras são fábricas que não existem, que a gente vai criar. 


11.1.17

deus é brasileiro

[dahmer]

Em tempo de carnaval, que apenas serve para vender mais cerveja e fomentar a existência alcoolizada como se fosse natural e benéfica, não esqueçamos: o alcoolismo é uma doença.



surplus







realidade suburbana


O seu vizinho fuma crack?
E a sua vizinha: derrete o cérebro na wap?


10.1.17

por que existe a literatura e não o nada


[...]

Como na arte, a literatura opera com base em prólogos, na iminência, quando o social é acontecimento mais do que estrutura, onde escrever e ler apresentam um status diferente dos atos sociais corriqueiros. É um modo de fazer que trabalha na zona do indeciso, do irresoluto, daquilo que ainda é possível.

Há arte e literatura onde não se afirma categoricamente aquilo que é e onde também não se assiste ao simples desapossamento do nada. O artístico e o literário existem enquanto aquilo que é aparece com o nada e onde o nada se mostra com o que pode ser. Fazer arte ou escrever é algo que acontece quando se evitam declarações absolutas e também quando o criador não se abandona totalmente à vertigem do nada. Chega-se a ser artista e escritor aprendendo a tratar com o que é, como se pudesse não ser, e com o que não é, como se pudesse vir a ser. Como ator social, o escritor é aquele que não pertence inteiramente à sua etnia, nação ou língua, transita entre pertencimentos frágeis, vive em seu entorno como estrangeiro, fala, mas duvida do que diz.

A cena da literatura não é a realidade social estruturada, empiricamente observável, nem a do nada que antecede o real. Mas essa experiência do iminente, em que ocorre o acontecimento literário, rastreável também na arte e na literatura de outras épocas, mostra mudanças históricas. O ato de escrever é um movimento aparentemente solitário, mas que pode ser enunciado como dificuldade de sobrevivência em certas ocasiões, luta pela significação em outras, vertigem diante do que desaparece.

Néstor G. Canclini


9.1.17

27.12.16

na sala de aula


A turma cheia, trina alunos. Segundo dia de aula. Nem bem começo a leitura de um texto sobre a sociolinguística, bem didático, Lucas interrompe, educadamente a aula, ao levantar a mão. Paro a leitura, sem terminar o primeiro parágrafo, e pergunto:

- Dúvidas?

Lucas mexe no boné e olha para um colega ao lado. Ri com certo ar de capetinha e volta-se para mim:

- Fêssor, cê é ateu.

Minha intenção era falar só sobre sociolinguística e literatura. Não entendi a questão fora de contexto. Mas para sair logo dessa, respondi:

- Sou 80% ateu, 10% cético e 10% agnóstico.

A turma em uníssono solta um imenso tooooooooooooma! 
Nessa, já era a aula.


26.12.16

a mídia em transe

[Stencil | CWB | 2016]
[...]

Em certo sentido, a mídia fortalece a pessoa que se tornou irreal e lhe fornece uma espécie de prova de existência. Isso é uma consequência daquela abnegação patológica diagnosticada por Hannah Arendt. Todo cidadão meio maluco pode alimentar a esperança de se ver estampado na primeira página do New York Times com uma garrafa de cerveja em uma das mãos, enquanto a outra está levantada para a saudação a Hitler. E nos noticiários de televisão ele pode maravilhar-se com sua obra do dia anterior: casas em chamas, cadáveres mutilados, audiências oficiais de emergência e reuniões de Estado para a discussão da crise.

H. M. E.
Trad.: Marcos B. Lacerda


25.12.16

razões adicionais para os poetas mentirem


Porque o momento / no qual a palavra feliz / é pronunciada, / jamais é o momento feliz. / Porque quem morre de sede / não pronuncia sua sede. / Porque na boca da classe operária / não existe a palavra classe operária. / Porque quem desespera / não tem vontade de dizer: / "Sou um desesperado". / Porque o orgasmo e orgasmo / não são conciliáveis. / Porque o moribundo em vez de alegar: / "Estou morrendo"/ só deixa perceber um ruído surdo / que não compreendemos. / Porque são os vivos / que chateiam os mortos / com suas notícias catastróficas. / Porque as palavras chegam tarde demais, / ou cedo demais. / Porque, portanto, é sempre um outro, / sempre um outro / quem fala por aí / e porque aquele / do qual se fala / se cala.


24.12.16

urgência das ruas



Suplantar o capitalismo em prol de uma visão de sociedade ecológica, comunista e libertária. 

Radicalize, construindo a resistência. 

Precisamos reconhecer de que o sistema capitalista global, baseado na exploração das pessoas e do planeta para o lucro de poucos é a raiz de nossos problemas sociais e ecológicos. 



19.12.16

a educação é elemento de domesticação e não de libertação



[...]

"Entendo por pedagogia burocrática um sistema onde os meios de controle tornam-se fins, e os fins são esquecidos. Então, o Diário de Classe do Professor e o registro de faltas e notas são mais importantes que o curso ministrado ao aluno. Da mesma maneira que o 'professor-polícia' controla o aluno, o 'diretor-polícia' controla o professor que, por sua vez, na esfera estadual, é escravo do delegado de ensino. [...] A pedagogia burocrática se caracteriza também por procurar, além de um controle totalitário de todos sobre todos, o conformismo em relação ao ensino recebido e transformar a avaliação e nota como novo 'fetiche'. [...] [A pedagogia burocrática] reproduz, no plano da escola, as determinações socioeconômicas, ela transforma o pobre num desgraçado escolar, pune-o diretamente com a reprovação e indiretamente tornando-o um evadido escolar [...]. A pedagogia burocrática, ao acentuar o conformismo, o espírito acrítico do aluno, forma a futura mão de obra dócil, que nada reivindicará nas empresas ou no Estado, forma os 'servos' do capital que docilmente contribuirão para sua reprodução ampliada." 

Maurício Tragtenberg



17.12.16

todo ouvido


A partir de um prefácio de Arundhati Roy

Busco compreender o mundo de outra maneira.
Encosto o ouvido no chão
e procuro:

o genocídio não divulgado
a guerra civil não televisionada
o golpe militar escondido.

É o meu destino não acreditar em tudo que leio no jornal.



16.12.16

existencialismo


dois

Desde quando a existência alcoolizada passou a significar vida ativa? Fenômeno curioso esse.


os bruzundangas


um

Suborno ali, suborno acolá: o verdadeiro jogo de dissimulações, o verdadeiro contrato social da República dos Bruzundangas.


15.12.16

democracia canalha


"O medo inibe o protesto e o silêncio facilita a entrega do aparelho burocrático a operadores políticos corruptos."


14.12.16

por que existe a literatura e não o nada


[...]

Um futuro indeciso, narrativas sem desenlace. Escrever com base na iminência, no que ainda não é, não significa se abstrair do social. É aparecer em um lugar onde o mundo pode ser pensado como algo que poderia ser de outro modo. A literatura não se situa em um nada a-histórico, mas nessa enunciação poética que desafia a prosa mutável do mundo.

Ao falar do que poderia ser de outra maneira, a escrita literária faz política. Conta como os deuses fugiram e como regressaram nas onipotências das empresas, na milagrosa irradiação das máfias.


Quando Holderlin escrevia, a pergunta era como viver na época dos deuses que se foram e do deus que ainda não chega; no tempo de Dostoieviski, a interrogação foi se, não havendo deus, tudo está permitido. Hoje, quando a disputa pelo todo ocorre entre os equivalentes profanos das deidades, que são o totalitarismo financeiro dos bancos, os rituais vazios com que o servem os políticos, sua transculturação em grupos criminosos e as revelações sempre parciais da espionagem, na literatura nos perguntamos se é possível atuar com outro sentido: ser escritor e leitor é o modo incerto com que deciframos o que poderia significar ser cidadão. Não reduzo a política à literatura, nem digo que esta vai nos emancipar. Escrever e ler são, apenas, ações com que tentamos fazer que o poder aniquilador e atordoante dos atuais deuses seja só uma intriga. Sem fim predefinido.

Néstor G. Canclini
Trad.: Larissa F. Locoselli


13.12.16

razões de estado


O Estado é a autoridade, a dominação e o poder organizados das classes proprietárias sobre as massas [...] a negação mais flagrante, mais cínica e mais completa da humanidade. Ele abala a solidariedade universal entre todos os seres humanos da Terra e associa alguns deles unicamente para a finalidade de destruir, dominar e escravizar todos os demais. [...] Essa negação flagrante da humanidade, que constitui a própria essência do Estado, é, do ponto de vista do Estado, seu dever supremo e sua maior virtude. [...] Assim, ofender, oprimir, despojar, pilhar, assassinar ou escravizar o semelhante é comumente considerado crime. Na vida pública, por outro lado, do ponto de vista do patriotismo, quando essas coisas são feitas para maior glória do Estado, para a preservação ou a ampliação de seu poder, tudo se transforma em dever e virtude. Isso explica porque toda a história dos Estado antigos e modernos é meramente uma série de crimes revoltantes; por que reis e ministros, passados e presentes, de todas as épocas e todos os países - estadistas, diplomatas, burocratas e militares -, se julgados pelo prisma da simples moralidade e da justiça humana, seriam cem vezes, mil vezes merecedores de condenação a trabalhos forçados ou à forca. Não há horror, crueldade, sacrilégio ou perjúrio, não há impostura, transação infame, ladroagem cínica, pilhagem descarada ou traição vergonhosa que não tenham sido ou não sejam diariamente perpetrados por representantes dos Estados, sem qualquer outro pretexto que não estas palavras elásticas, muito convenientes, mas tão terríveis: "por razões de Estado."

Mikhail Bakunin


9.12.16

mais arte menos estampa


Arte callejero | CWB | 2016

Meu amigo me conta que vai fazer grafite. Eu apoio, se há intervenção urbana que admiro é a pintura artística no concreto. Pergunto se já tem ideia sobre o que vai criar. Ele responde que se inscreveu em uma oficina para pegar manhas e macetes da técnica, só então pensará no tema.

Provoco: não tem nada em mente? “Ah, até tenho...” O quê? “Algo que trabalhe com cores berrantes e escuras...” Tá, mas as cores darão o sopro de vida para que tipo de ideia? “Sei lá, talvez minha assinatura”. Assinatura? “É, estilizada; manja?”

Claro que manjo! Tanto que retruco: mas e a arte? “Arte?” Sim, a vitamina que perturba e faz pensar. A alma de uma produção estética está justamente neste ingrediente vital. O belo pelo belo é tão banal quanto amar alguém apenas pela cor dos olhos. É preciso ter algo a mais, e o grafite tem tudo para ter.

“Mas tem grafites que são verdadeiras obras de arte!” Não duvido! No entanto, a arte não está apenas na técnica. Pode-se reproduzir a anatomia em minúcias; e daí? Arregalar os olhos e soltar monossílabos de admiração não é o mesmo que se sentir constrangido e incitado a interrogar a si e o mundo ao redor.

Meu amigo argumenta que anima a vida dos transeuntes. Balanço a cabeça em concordância. Inclusive, posso até aplaudir girafas, guaxinins e demais formas cheias de cor e efeito, mas quando viro as costas e dobro a esquina, elas não me acompanham nem me seguem. Permanecem lá, cuidando de suas vidas estáticas enquanto cuido da minha.

A atividade do grafite está no DNA da expressão humana. Os homens das cavernas já faziam grafite, certo? Ilustrando suas crônicas pelas paredes rochosas. Aliás, o ancestral do artista é o sujeito que registrava a vida em imagens enquanto era imperativo lutar pela sobrevivência imediata. Saltando para os tempos modernos, enxergo os muralistas mexicanos como precursores da composição pictórica de painéis em espaços públicos. E os grafiteiros atuais teriam plena condição de adentrar nesta tradição. Quisera eu transitar pelas ruas e me deparar com a tragicidade emblemática de um Orozco, ou a ironia fina de denúncia social à la Diego Riviera.

Meu amigo argumenta que o grafite tem linguagem própria. Claro que sim! E digo mais: o grafite tem o poder que outras artes não têm, pois está onde o povo precisa passar. É uma tela a céu aberto. Mas não me venha com o papo de que “de terror basta a vida”. Há maneiras de abordar um tema sério sem sisudez. Além do mais, trazer à luz um problema significa enxergar melhor este problema e ter a sensação de que não estamos sozinhos.

Deu pra entender? Não precisa responder, basta pensar.

Paulino Júnior


8.12.16

sociedade sem escolas



Que clima de confiança pode existir em um ambiente em que a calúnia reacionária é matéria de desempenho e de carreirismo para os aparelhos ideológicos? A educação formal é adversário do anarquismo e do socialismo. Ou seja, essa educação é inimiga da inteligência.

A escola tradicional com seus carrascos está fazendo uma audaciosa aposta na burrice. O que era natural na criança, como a curiosidade, é assassinado nos estabelecimentos de (des) educação.


Aluno agride professor, professor agride aluno, diretores assediam educadores e todos estão girando, acotovelando-se, competindo para saber quem é mais burro, vigiando os passos, aparelhando as falas.

A escola é um lugar horrível!

A escola é tão ruim e continua sendo tão ruim que não se permite sequer a livre circulação. Não temos professores, temos carcereiros.

Na escola não há clima propício à aprendizagem. Os funcionários, são, em sua grande maioria, aparelhos ideológicos.

Pseudo educador tem de deixar a escola e frequentar outro espaço, como por exemplo, igreja evangélica.

Paus no cu!

E como cantam os punks:

Abre aspas
Nas escolas onde a cultura é inútil, nos ensinam apenas a sentar e calar a boca, para sermos massacrados pelo discurso reacionário de professores marionetes comandados pelos estado.
Fecha aspas


7.12.16

sociedade sem escolas


dois

A educação integral não significa passar oito horas em um colégio sob tutela de pedagogos autoritários. É outra coisa: é ocupar-se de sua própria educação para, em princípio, fundar uma sociedade livre e igualitária.

A verdadeira educação deve ser livre, não coercitiva.


6.12.16

sociedade sem escolas


um

Estudar tendo como única motivação ser aprovado em vestibular trata-se de condicionamento cultural praticado por demagogos à serviço do establishment. As pseudos aulas de gramática, a falta da prática de leitura, a desinformação de professores formam, sistematicamente, a juventude para a passividade. Gerações e mais gerações.

O vestibular está a serviço de excluir, censurar, marginalizar a parcela da juventude mais radical. Assim servem os concursos para os ativistas de esquerda.

Não se instrui para a criação.



5.12.16

drug me


Quem reduz a cultura punk à existência alcoolizada é um ignorante. Desconhece a música de protesto, a filosofia anarquista, o princípio de autonomia do faça você mesmo, a história da contrainformação por meio do fanzine, o ciberativismo, a educação libertária e a camaradagem.

Reduzir o punk à existência alcoolizada faz parte daquilo que conhecemos como preguiça mental. Desconhecer o movimento alternativo e relacioná-lo às bandas que mais lembram programas de televisão como Hermes e Renato mostra total falta de leitura da cultura.

E eu nem vou pedir desculpas pela sinceridade.


3.12.16

forjando a cultura da classe operária


[...]

Não foi uma contribuição europeia que promoveu o movimento trabalhista americano, bem pelo contrário. Mas, quero dizer, essas eram simplesmente reações naturais: não se precisava ter nenhum preparo para entender essas coisas, não era preciso ter lido Marx, nem nada assim. É só que é degradante ter de seguir ordens e ver-se preso a um lugar onde se trabalha como escravo durante doze horas e então ir para um dormitório onde vigiam seu comportamento moral e assim por diante – que é como a coisa era. As pessoas simplesmente encaravam isso como algo degradante. 

Era a mesma coisa com os artesãos, pessoas que trabalhavam por conta própria e então estavam sendo forçadas a trabalhar nas fábricas – elas queriam poder dirigir suas próprias vidas, isto é, sapateiros contratavam pessoas a fim de ler para eles – e isso não significava ler Stephen King, ou algo do gênero, significava ler para valer. Essas eram pessoas que tinham bibliotecas, e elas queriam viver suas vidas, queriam controlar o próprio trabalho, mas estavam sendo forçadas a trabalhar em fábricas de sapatos em lugares como Lowell, onde sequer eram tratados como animais, mas como máquinas. E isso era degradante e humilhante – e elas lutaram contra isso. E, aliás, estavam lutando contra esse sistema de coisas não tanto porque ele reduzisse seu nível econômico, o que não acontecia (na verdade, provavelmente o estava elevando) – era porque ele lhes estava tirando o poder das mãos e subordinando-as a outras pessoas e transformando-as em meras ferramentas de produção. E isso elas não queriam. 

Na verdade, se vocês quiserem ler algo realmente interessante, um livro que eu sugeriria é o primeiro que foi escrito sobre a história do trabalhismo – o primeiro mesmo, eu acho. Saiu em 1924 e acaba de ser reeditado em Chicago: chama-se The Industrial Worker, de Norman Ware, e consta principalmente de excertos da imprensa trabalhista independente dos Estados unidos de meados do século XIX. Vejam, havia uma grande imprensa trabalhista independente nos Estados Unidos nessa época – era mais ou menos na escala da imprensa capitalista, na verdade – e era dirigida pelas chamadas “operárias” ou por artesãos. E é extremamente interessante de se ler. 

Em pleno século XIX, os trabalhadores nos Estados Unidos estavam lutando contra a imposição do que descreviam como “degradação”, “opressão”, “escravidão do salário”, ‘privar-nos de nossos direitos elementares”, tudo que hoje chamamos de capitalismo moderno (que é na verdade o capitalismo de Estado) foi combatido por eles durante um século inteiro – e muito encarniçadamente; essa foi uma luta extremamente dura. E estavam lutando por “republicanismo trabalhista” – vocês sabem: “Vamos voltar ao tempo em que éramos gente livre.” “Trabalho” significa apenas “gente”, afinal de contas. 

E, de fato, eles estavam lutando também contra a imposição do sistema de educação pública em massa – e com muita razão, porque entendiam exatamente o que isso significava: uma técnica para arrancar à força a independência da cabeça dos agricultores e transformá-los em operários fabris dóceis e obedientes. Foi por isso que, no final de contas, a educação pública foi instituída nos Estados Unidos, para início de conversa: para atender às necessidades da indústria emergente. Vejam, parte do processo de tentar desenvolver uma força de trabalho degradada e obediente era tornar os operários burros e passivos, e a educação em massa era um dos meios pelos quais isso era alcançado. E, é claro, havia também um esforço muito mais amplo para destruir a cultura intelectual independente da classe operária, que havia se desenvolvido, e que ia do total uso da força até técnicas mais sutis, como propaganda e campanhas de relações públicas. 

E esses esforços na verdade se conservavam até os dias de hoje. Então, sindicatos trabalhistas foram praticamente liquidados nos Estados Unidos, em parte por uma enorme quantidade de propaganda empresarial, que ia do cinema e quase tudo, e passando por vários outros meios também. Mas o processo todo levou muito tempo – tenho idade suficiente para me lembrar de como era a cultura da classe operária nos Estados Unidos: ainda existia um alto nível dela quando eu estava crescendo, no final dos anos 1930. Levou muito tempo para arrancá-la da cabeça dos operários e transformá-los em ferramentas passivas; levou muito tempo para fazer as pessoas aceitarem que esse tipo de exploração é a única alternativa, e então era melhor simplesmente esquecerem sobre seus direitos e dizerem; “Está bem, sou um degradado.” 

Então, a primeira coisa que tem de acontecer, eu acho, é termos de recuperar parte dessa antiga compreensão. Isto é, tudo começa com mudanças culturais. Temos que desmantelar esse negócio todo culturalmente: temos que mudar a mente das pessoas, seu espírito e ajuda-las a recuperar o que era de entendimento comum em um período mais civilizado, como um século atrás nos galpões das fábricas de Lowell. Se esse tipo de entendimento podia ser natural entre uma grande parte da população em geral no século XIX, pode voltar a ser natural agora. E é algo em que temos realmente de trabalhar hoje.

Noam Chomsky
Tradução: Eduardo F. Alves


2.12.16

até quando?


Hoje me levantei,
fui trabalhar em mais dois desenhos
terminei a leitura de um artigo de Carlos Fico
jantei e me preparo para dormir.

No entanto, Rafael Braga
passou outro dia preso injustamente.



30.11.16

intelectuais e mudança social




The real nazis run your schools
Dead Kennedys

[...]

A verdadeira educação significa conseguir fazer as pessoas pensarem por si próprias - e este é um negócio complicado de se saber como fazer bem, mas que claramente exige que, seja o que for a que você esteja visando, tem de alguma forma capturar o interesse das pessoas e fazer com que elas queiram pensar, buscar e explorar.

As escolas premiam disciplina e obediência, e castigam a independência da mente. Se calha de você ser um pouco inovador, ou talvez você tenha se esquecido de ir à escola um certo dia, porque estava lendo um livro, ou algo assim, isso é uma tragédia, é um crime - porque você não deve pensar, deve obedecer e simplesmente continuar percorrendo as matérias do modo que for exigido.

E, de fato, a maioria das pessoas que conseguem passar pelo sistema de educação e chegam às universidades de elite conseguem isso porque mostraram-se dispostas a obedecer a um monte de ordens idiotas durante anos a fio - foi assim que eu consegui, por exemplo. É o seguinte: se algum professor idiota lhe diz "Faça isto", que você sabe ser algo que não faz o menor sentido, mas você obedece e faz, e então você passa para o degrau seguinte, e então obedece à ordem seguinte, e finalmente você consegue chegar ao fim, e eles lhe dão créditos: uma parcela horrível da educação é assim, desde o comecinho. Algumas pessoas seguem em frente com isso, porque eles calculam: "Tudo bem, farei qualquer coisa idiota que esse bundão mandar, porque eu quero seguir adiante"; outros o fazem porque simplesmente internalizaram os valores - mas depois de algum tempo essas duas coisas tendem a se confundir um pouco. Mas você faz, senão está fora: faça perguntas demais e vai se meter em encrenca.
Noam Chomsky

Trad.: Eduardo F. Alves


29.11.16

microfísica do poder


I

Eu nunca precisei de preceitos religiosos e metafísicos para existir. Quem me diz o contrário tem em mente o controle e a submissão.


26.11.16

Bonaventure


e nossos amigos de Oléron

[...]

Bonaventure, belo nome para um percurso educativo, estava situada na ilha de Oléron, uma singular escola em uma pequena ilha que funcionou de setembro de 1993 a junho de 2001 com, em média, uma dúzia de crianças por ano, ou seja, uma frequentação de 50 a 60 crianças. Era uma associação amparada na lei de 1901, que escolarizava as crianças de 3 a 11 anos, do maternal à entrada no colégio.

Ela era definida como uma experiência de educação 

para e pela liberdade, igualdade, apoio mútuo, autogestão e cidadania [...] brandindo alto e luminosa a bandeira da laicidade, da gratuidade, de um financiamento social, da propriedade coletiva, da igualdade de salários.
Hugues Lenoir


24.11.16

acts of literature


Jacques Derrida
Trad.: Marileide Dias

[...]

O que chamamos de literatura pressupõe que seja dada licença ao escritor para dizer tudo o que queira ou tudo o que possa, permanecendo, ao mesmo tempo, protegido de toda censura, seja religiosa ou política.

[...]

Nossa tarefa talvez seja indagar por que tantas obras e sistemas de pensamento poderosos deste século têm sido o lugar de "mensagens" filosóficas, ideológicas e políticas que são às vezes conservadoras (Joyce), às vezes brutal e diabólicamente homicidas, racistas, antissemitas (Pound, Céline), outras vezes equivocadas e instáveis (Artaud, Bataille).


23.11.16

chopin na cadeira elétrica


[Chroma | 2015]
Abre aspas 
O lema dos cyberpunks é: a informação deve ser livre. Desconfie das autoridades, lute contra o poder; coloque barulho no sistema, surfe essa fronteira, faça você mesmo. 
Fecha aspas


22.11.16

dialética da escola-prisão


vinte


Um amigo me narra uma situação. Resumo. Em sua escola a "professora" de química sem leitura de história "explica" o que seria o comunismo. Ela olha para a classe e apanha o penal da aluna da carteira da frente e diz, agora este objeto é meu. Me pertence. Isso é o comunismo.

Eu nunca tive nada a ver com esse ensino reducionista e burro. Me desligo de qualquer função formal relacionada à educação a partir desse pequeno relato. Soma-se, em mais de oito anos de ensino, muita incoerência, falta de leitura e moleza cognitiva.

É a saída ou a doença mental. Prefiro, obviamente, a saída.


21.11.16

dialética da escola-prisão


dezenove

A escola
nunca deixou 
de ser aquilo 
que realmente 
sempre foi: 
uma prisão.


Fuck off!


18.11.16

zero zero zero




A ferocidade se aprende
[...]

Seguir os percursos do narcotráfico e da lavagem de dinheiro faz com que você se sinta capaz de medir a verdade das coisas. Entender os destinos de uma eleição política, a queda de um governo. Escutar as palavras oficiais começa a não ser mais suficiente. Enquanto o mundo tem uma direção bem precisa, tudo, no entanto, parece se concentrar em algo diferente, talvez banal, superficial. A declaração de um ministro, um acontecimento minúsculo, a fofoca. Mas quem decide tudo é outra coisa. Esse instinto está na base de todas as escolhas românticas. O jornalista, o narrador e o diretor gostariam de contar como é o mundo, como é realmente. Dizer aos seus leitores, aos seus espectadores: não é como vocês acham, é assim. Não é como vocês acreditavam, agora vou abrir a ferida através da qual vocês podem espiar a verdade suprema. Mas ninguém jamais consegue totalmente. O risco é acreditar que a realidade, a verdadeira, pulsante, determinante, está completamente escondida. Se você tropeça e cai nessa, começa a achar que tudo são conspirações, reuniões secretas, associações e espiões. Que nada jamais aconteceu como parece ter acontecido. Essa é a idiotice típica de quem narra. É o início da miopia de um olho que julga são: fazer o círculo do mundo quadrar nas suas interpretações. Mas não é assim tão simples. A complexidade está justamente em não acreditar que tudo está escondido ou que tudo é decidido em salas secretas. O mundo é mais interessante do que uma conspiração entre serviços de inteligência e seitas. O poder criminoso é uma mistura de regras, desconfiança, poder público, comunicação, ferocidade, diplomacia. Estudá-lo é como interpretar textos, como se tornar entomologista.


A aula

[...]


Com o tempo me convenci de que não conservamos somente na cabeça as coisas que recordamos, elas não estão todas na mesma zona do cérebro; me convenci de que outros órgãos também tem uma memória. O fígado, os testículos, as unhas, o peito. Quando você ouve as palavras finais, elas ficam grudadas ali. E quando essas partes se lembram, enviam o que registraram ao cérebro. Não raro me dou conta de me lembrar de algo com o estômago, que armazena o belo e o horrendo. Sei que estão ali certas lembranças, sei disso porque o estômago se mexe. E às vezes a barriga também. É o diafragma que cria ondas: uma lâmina delgada, uma membrana plantada ali, com as raízes no centro do nosso corpo. É dali que tudo parte. O diafragma faz você bufar, enraivecer-se, arrepiar-se, mas também mijar, defecar, vomitar. É dali que parte o impulso durante o parto. E também estou certo de que há pontos que recolhem o pior: conservam os dejetos. Não sei onde é esse ponto dentro de mim, mas ele está cheio. E agora está saturado, tão repleto que não cabe mais nada. Meu espaço das lembranças, ou melhor, dos dejetos, está farto. Poderia parecer uma boa notícia: não há mais espaço para a dor. Mas não é. Se os dejetos não têm mais aonde ir, começam a se meter onde não devem. Se enfiam nos espaços que recolhem memórias diversas.


Roberto Saviano


10.11.16

américa


Sobre a bandeira da corrupção
a cadela do fascismo pariu a serpente.

Na pedra está escrita
a outra história.


9.11.16

lugar para dúvida

[...]

Estamos em uma transição incerta que torna insegura qualquer descrição da estrutura social. É posto um ponto de interrogação no senso comum sobre o que é o social, não apenas das pessoas comuns como também dos cientistas. Não basta tentar entender o "contexto social" quando os cidadão decidem em quem votar ou os consumidores escolhem se diferenciar lendo livros ou exibindo dispositivos eletrônicos. Nós tomamos essas decisões participando de interações sociais que não são exteriores aos indivíduos, como são imaginados os "contextos". Operamos como atores em rede que colocam em dúvida constantemente como se associar, e para quê, com outros autores, com instituições e com os movimentos que as questionam. Naturalmente, examinar a cada momento os pressupostos do senso comum não é tarefa exclusiva dos filósofos e cientistas sociais, ou seja, nós que suspeitamos da simples acumulação de dados - dos que leem ou não, dos que votam ou preferem se manifestar nas ruas. Também cumprem essa tarefa crítica os movimentos sociais, e por isso os pesquisadores estamos prestando tanta atenção neles e nas estruturas, que cada vez duram menos. Em um mundo que se transforma com mais velocidade do que quando apareceu a imprensa, o cinema ou a televisão, é inaproveitável a ideia do cientista como um taquígrafo que anota se as leis imaginadas "do social" são cumpridas ou transgredidas. Quando as maiorias atuam conforme as leis, mas adaptando-se a relações informais que prevalecem na política, na economia, no acesso à informação, quando o sobrenome que melhor qualifica a democracia é canalha, quando não muda fisicamente o mapa dos poderosos, mas as interações próximas e distantes de multidões, e todos nos sentimos mais ou menos estrangeiros, a tarefa do pensamento social - em vez de descobrir regularidades de longa duração - é "orquestrar contrastes" (Clifford Geertz). Captar a ordem das pessoas e das coisas requer, mais do que nunca, estar atento à sua arbitrariedade. A sociedade é um labirinto de estratégias.

Néstor G. Canclini


8.11.16

tristes trópicos


Universalizar a esquerda sem fazer um recorte é coisa de pessoas que não se assumem de direita. Falas cheias de retóricas viraram moda e estou ouvindo muita gente graduada nas redes sociais reproduzindo falsidades sem se dar conta desta má consciência.


1.11.16

tristes trópicos



Em nosso planeta os teóricos e ideólogos são em sua essência demonólogos. E estes pseudos especialistas estão em tudo quanto é buraco destruindo as singularidades, as subjetividades que se recusam a fazer parte da falsa existência, dos papéis sociais estereotipados.

E isso no Brasil é três vezes pior.


31.10.16

educação e emancipação


Numa democracia, quem defende ideais contrários à emancipação, e, portanto, contrários à decisão consciente independente de cada pessoa em particular, é um antidemocrata, até mesmo se as ideias que correspondem a seus desígnios são difundidas no plano formal da democracia. As tendências de apresentação de ideias exteriores que não se originam a partir da própria consciência emancipada, ou melhor, que se legitimam frente a essa consciência, permanecem sendo coletivistas-reacionárias. Elas apontam para uma esfera a que deveríamos nos opor não só exteriormente pela política, mas também em outros planos muito mais profundos.

Theodor W. Adorno
Trad.: Wolfgang L. Maar



29.10.16

a vida ao rés do chão


dois

Minha proposta ética, independente da introspecção, é o inconformismo.


28.10.16

a vida ao rés do chão



A democracia não se estabeleceu a ponto de constatar a experiência das pessoas como assunto próprio da sociedade de modo que fizesse os indivíduos compreender a si mesmos como sujeitos dos processos históricos e dos processos políticos. Falta chão.



deus, um delírio


Lxs muchachxs estan dormindo. Por isso, eu repetirei mais uma vez a fala de um geneticista:

"se a história da ciência nos mostra alguma coisa, é que não chegamos a lugar nenhum ao chamar nossa ignorância de deus."


27.10.16

dialética da escola-prisão


Dezoito

Anteontem de manhã uma diretora despreparada para a educação e para compreender o movimento ocupa dos estudantes "performatizou", apoiado por papais fabricados pela escola sem partido (aposto), uma cena deplorável na rua. Ela tentava a desocupação da escola por meio de berros e ameaças.



É fácil manter a boquinha ao transformar a direção em um mecanismo do aparelho ideológico e em um instrumento da repressão.

Chego a pensar que a escola não precisa dessa relação de poder. Nunca precisou. Não há necessidade disso se estamos em um espaço para exercer a atividade intelectual.

Agora, mais do que nunca, é preciso nacionalizar os ocupas. Por todos os estados. E quem sabe, um dia, ter uma escola gerida apenas por educadores e educandos.

Hasta la victoria!


dialética da escola-prisão


dezessete

Lembro de um ignorantão que "lecionava" em uma escola em Colombo que dizia espumando pelos corredores:

- Machado de Assis na minha escola não!

Posso lhes assegurar que ele tinha orgulho da sua sapiência.


26.10.16

dialética da escola-prisão


dezesseis

Superstição, intolerância e perseguição, eis a tríade administrativa das escolas.


25.10.16

dialética da escola-prisão



The CasualtiesRiot | 1997



Riots in our cities fucking riots at your schools
Riots in this country we fucking riot just for you
Riot, Riot, Riot, Riot
Riots in your city fucking riots at your schools
Riot for the punx, fucking riots everywhere

Riot in the streets, fucking riots of today


quinze

Às vezes é necessário repetir a mesma história para que se possa ter uma compreensão palpável. Uma frase que ouvi com muita frequência, por exemplo, neste último ano como educador foi:

- Eu estou recebendo ordens.

Essa oração - discurso do senso comum - foi dita inúmeras vezes por pedagogas e alguns professores. 

Eu pensava que a escola fosse espaço para questionamentos. Para levantar questões: problematizar.


Mas não.

O espaço está mais para a disseminação de dogmas, produção de cartazes horríveis e reprodução da cultura de massa.

Análise e interpretação de texto? 
A maioria não lê.

Eichmann sorri no inferno.


24.10.16

de la musique

Buenos Aires Hora Cero

Maneras de luchar

Que no me digan
que escriben simplemente,
que dicen el poema
sin pensarlo siquiera.
Que él nace sin más ni más.

Es un arduo trabajo,
un oficio de herreros, un quehacer proletario,
un cansancio que seguirá mañana.

Que no me digan
que se hacen poemas sin sudores,
sin una larga y violenta jornada de trabajo.
Tengo las manos como las de un labrador,
duras, gastadas, llenas de poemas.

Rubén Vela | 1969



23.10.16

aberração


é preciso procurar
precisão em cifras
números
estatísticas
gráficos
até no rabo.

calcula-se tudo:
o homem não deve dormir
nunca.



22.10.16

ópios


Rock farofa, sertanojo, bandinhas promovedoras de álcool, artistas pop drogaditos, merdinhas fabricados pela televisão, patriotismo industrializado, violência comercializada, mercado de dogmas, todo esse lixo cultural não faz parte da minha vida desde os 10 anos.


Tenho dito e fique escrito!

21.10.16

se questo è un uomo


Pela primeira vez, então, nos damos conta de que a nossa língua não tem palavras para expressar esta ofensa, a aniquilação de um homem. Num instante, por intuição quase profética, a realidade nos foi revelada: chegamos ao fundo. Mais para baixo não é possível. Condição humana mais miserável não existe, não dá para imaginar. Nada mais é nosso: tiraram-nos as roupas, os sapatos, até os cabelos; se falarmos, não nos escutarão - e, se nos escutarem, não nos compreenderão. Roubarão também o nosso nome, e, se quisermos mantê-lo, deveremos encontrar dentro de nós a força para tanto, para que, além do nome, sobre alguma coisa de nós, do que éramos.

Imagine-se, agora, um homem privado não apenas dos seres queridos, mas de sua casa, seus hábitos, sua roupa, tudo, enfim, rigorosamente tudo que possuía; ele será um ser vazio, reduzido a puro sofrimento e carência, esquecido de dignidade e discernimento - pois quem perde tudo, muitas vezes perde também a si mesmo; transformado em algo tão miserável, que facilmente se decidirá sobre sua vida e sua morte, sem qualquer sentimento de afinidade humana, na melhor das hipóteses considerando puros critérios de conveniência. Ficará claro, então, o duplo significado da expressão "Campo de extermínio", bem como o que desejo expressar quando digo: chegar no fundo.

Primo Levi | 1958
Trad.: Luigi Del Re


20.10.16

dialética da escola-prisão


[Absurdo | 09]
catorze

Outro dia, fui questionado por um colega de profissão, quando ainda não era motivo de perseguição ideológica, quantos anarquistas eu conhecia. Para respondê-lo, o sujeito tinha ares de juiz da lei e da ordem e sustentava um olhar de fanático da moral, remeti a Léauthier:
- Os anarquistas não precisam se conhecer para pensarem a mesma coisa.
Feito, voltei para o livro que estudava e dei por encerrado o interrogatório.